Biodiversidade 98 / 2018-4

É urgente romper as inércias que nos perpetuam em situações de opressão, confusão e fragmentação individual e mútua, mas nem tudo o que aparece como novidade pode, nem deve, substituir o que tem se mantido por anos, séculos e milênios, e é fruto do legado comum que tecemos nas conversas entre nossa so - ciabilidade e a sociabilidade da natureza: entre nós mulheres e nós homens. Nestes tempos escuros, quando 17 mil pessoas centro-americanas (famílias inteiras) fogem da violência, da miséria e da fome destinadas a elas, quando as lutas em defesa dos territórios (cuja integralidade água-terra, ambiente natural e espiritual são mantidos vigentes pelos povos), temos que retornar à defesa do comunitário, anticapitalista e antipatriarcal. Reivindiquemos a história de nos - sas luzes e êxitos comuns. A história de nossos cuidados cotidianos e mútuos. A responsabilidade compartilhada de cuidar a vida, a ética, a igualdade e a justiça. Devemos nos opor às perseguições, à devastação, à espoliação e ao abuso, mas sobretudo, ao roubo do sentido de nossa existência comum como mulheres e homens que buscamos a plenitude caminhando lado a lado, acompanhando-nos em nossa mutualidade. Nossa revista Biodiversidade, sustento e culturas se propõe a ser uma ferra - menta para entender e buscar luzes em comum nessa noite que procuram nos impor e onde não nos reconhecemos.

 

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